Myanmar. Autoridades continuam buscas por sobreviventes

por Inês Moreira Santos - RTP
Foto: Nyein Chan Naing - EPA

Já foram confirmados mais de 1.700 mortos vítimas do sismo que atingiu Myanmar na sexta-feira, à medida que mais corpos foram retirados dos escombros. Ainda assim as autoridades dos países do Sudoeste Asiático que foram afetados mantêm as operações de resgate. Em Mandalay, uma mulher foi encontrada com vida, entre os escombros de um hotel, mais de 60 horas após o terramoto.

O porta-voz do Governo controlado pela junta, major-general Zaw Min Tun, disse à emissora estatal birmanesa MRTV que há cerca de 3.400 pessoas ficaram feridas e mais de 300 estão ainda desaparecidas no país. O último balanço das autoridades é de 2.056 mortos e mais de 3.400 feridos.

Entretanto, foram encontrados alguns sobreviventes, o que deu ânimo às autoridades para continuarem os trabalhos. Uma operação de resgate levou cerca de cinco horas, mas às primeiras horas desta segunda-feira as equipas de salvamento conseguiram retirar com vida uma mulher que estava entre os escombros do Great Wall Hotel, em Mandalay. De acordo com a embaixada chinesa, cujas autoridades se juntaram para ajudar nas operações, a mulher estava estável e foi um momento de alegria quando foi encontrada.

Em toda a região centro de Myanmar, as autoridades têm-se esforçado para resgatar pessoas de baixo de muitos edifícios que desabaram. Uma equipa de especialistas em catástrofes naturais do Governo japonês chega esta segunda-feira ao país para avaliar os danos causados pelo sismo.

Composta por funcionários da Agência Japonesa de Cooperação Internacional (JICA, na sigla em inglês) e pessoal médico, a equipa especializada desloca-se para a área afetada para monitorizar as necessidades das vítimas e a situação de segurança no local.

"[A equipa] partiu para Myanmar ontem [domingo] e deverá chegar hoje a Rangum", a maior cidade do país, situada a 600 quilómetros do epicentro do sismo, disse o porta-voz do governo japonês Yoshimasa Hayashi, numa conferência de imprensa.

Além disso, a equipa irá coordenar e avaliar a possível mobilização de equipas de emergência, que, sob as ordens do Ministério dos Negócios Estrangeiros, prestam assistência de emergência em áreas afetadas por catástrofes. O governo japonês anunciou que vai fornecer mantimentos de emergência e artigos essenciais através da JICA.

Também a China enviou para Myanmar o primeiro lote de ajuda humanitária, que inclui tendas, cobertores e equipamento de primeiros socorros, de acordo com a Agência de Cooperação para o Desenvolvimento Internacional da China. No sábado, Pequim anunciou que vai fornecer 100 milhões de yuan (cerca de 12,7 milhões de euros) em “ajuda humanitária de emergência” ao Myanmar, a pedido da junta militar birmanesa. Colapso de edifício na Tailândia
Os trabalhos de resgate também continuaram na capital tailandesa, onde se acredita que 78 trabalhadores estejam presos nos escombros de um prédio de 30 andares que desabou. O governador de Banguecoque, Chadchart Sittipunt, visitou a área afetada para observar os esforços de busca e salvamento dos trabalhadores da construção civil que continuam desaparecidos, de acordo com os mais recentes dados oficiais.

Sittipunt disse que três ou quatro "sinais vitais", que descreveu como fracos, foram detetados através de sensores, e salientou que o desabamento ocorreu durante a evacuação do estaleiro, pelo que os especialistas acreditam que muitos dos desaparecidos possam estar nas escadas de emergência.

"Isto é considerado um sinal potencialmente positivo, uma vez que a estrutura da escada é reforçada, quase como um invólucro protetor. A escada contém pisos empilhados e cavidades internas, o que pode proporcionar espaços adequados para a sobrevivência", observou, citado pelas agências de notícias.

O governador da capital da Tailândia, também afetada pelo terramoto de sexta-feira, enfatizou a importância do período de 72 horas como crucial para encontrar pessoas vivas sob o enorme monte de cimento, ferro e vidro deixado pelo desabamento deste edifício de 30 andares localizado no norte da cidade, perto do mercado turístico de Chatuchak. As equipas de resgate estão a utilizar cães, drones, uma câmara termográfica para detetar o calor corporal e digitalizações a três dimensões da estrutura para localizar pessoas.

Devido ao abalo, pelo menos 18 pessoas morreram, outras 33 ficaram feridas e 78 estão desaparecidas em Banguecoque, segundo o balanço mais recente das autoridades locais, divulgado no domingo.

A junta de Myanmar declarou, esta segunda-feira, uma semana de luto nacional após o forte terremoto de sexta-feira que matou mais de 1.700 pessoas na antiga Birmânia e na vizinha Tailândia. O período de luto vai até domingo, disseram, em comunicado, os militares no poder, adiantando que as bandeiras vão ser colocadas a meia haste.

O sismo também foi sentido em várias cidades do sul da província chinesa de Yunnan, embora até agora os danos registados tenham sido pouco significativos.
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